Tava eu lá, dormindo no meu canto, sem fazer mal pra ninguém, quando me passam aqueles caras de verde, um monte deles. Pensei eu: “morri e descobri que anjo veste verde”, mas eles tinham metralhadora na mão e tudo. Os caras entraram no casarão, levaram o bigodudo e ficaram na porta pra ter certeza de que ele não voltava. Me dar um pedaço de pão, nada, mas eu nem tinha terminado de abrir o outro olho e o grandão já tinha sumido.
Só fui notar o que tava pegando um tempão depois. Vi gente passando na rua e apanhando, batendo, xingando…
De lá pra cá é essa tragédia. Mudei dez vezes de praça, cansei de acordar com tiro na orelha e fumaça no nariz. Sobe e desce avião o tempo todo, tem homem branco, preto, azul e amarelo filmando tudo pra cima e pra baixo. Tá um bafafá isso aqui. Sei lá o que tá pegando, mas sei que pra levar essa vida de cão, prefiro minha vida de cão em outro lugar. Adiós, Tegucigalpa!

