Se imaginar pagasse imposto, ela trabalharia só pra isso.
Nem sabe quantas vezes se perdeu no que fazia porque viu um e imaginou. Criando histórias, cenas, absurdas, possíveis, aqui e ali. Muitas vezes nem sabia por onde se começa o que imaginou. Sorria como se um dia pudesse ser verdade, enrubescia sabendo que, na verdade, nem queria aquilo que imaginou. Mas já tinha imaginado. Outra vez. Traia a lógica ao pensar no que não faz sentido e traia a si mesma ao tentar esquecer algo de que tinha gostado, afinal, de imaginar.
Mas, olha, nem a imaginação dela seria capaz de tanto. Era só um sussurro. No final, já foi.
Foi pra longe, que nem a imaginação dela. Porque, enfim, imaginar não paga imposto.
